O som dos pneus derrapando no cascalho do lado de fora do galpão cortou o silêncio da noite como um grito. Helena sentiu um calafrio percorrer sua espinha, mas, ao contrário de outras vezes, suas mãos não tremeram. Ela olhou para Gabriel, que já segurava uma barra de ferro, os olhos fixos na porta metálica.— Fique atrás de mim, Helena — ele ordenou, a voz baixa e protetora.— Não, Gabriel — ela respondeu, caminhando até o centro do estúdio, sob a luz do lustre industrial que ela mesma havia projetado. — Eu passei a vida me escondendo atrás de paredes que outros construíram. Esta parede aqui é minha. Eu vou encará-lo.Um estrondo ecoou quando Ricardo golpeou a porta.— Abra esta porta, Helena! Eu sei que você está aí com o seu amante de aluguel! Apareça e encare o homem que te deu tudo!Helena fez um sinal para Gabriel. Ele, relutante, destravou o trinco eletrônico. A porta pesada deslizou, revelando um Ricardo Albuquerque que ninguém reconheceria. Ele estava sem gravata, o paletó
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