Fico olhando para o nada. Com a pouca iluminação, o quarto se dissolve em sombras suaves, contornos indistintos que tornam tudo mais íntimo… e mais perigoso. Meu corpo treme levemente quando sinto Gael deslizar o braço ao redor da minha cintura, puxando-me para mais perto dele, como se aquele gesto fosse a coisa mais natural do mundo. Mas não é. Nada disso é. Eu transei com o irmão do homem com quem vou me casar. Por contrato, sim. Frio, calculado… inevitável. Mas ainda assim, um casamento. O peso dessa verdade se instala no meu peito, tornando o ar mais denso, difícil de puxar. — Estou sentindo você pensativa… — a voz rouca dele corta o silêncio, carregada de cansaço e algo mais profundo, algo que ele não diz. Solto um suspiro baixo, reunindo coragem, e me viro para ficar de frente para ele. Por um instante, esqueço tudo. Não consigo deixar de reparar em como ele fica absurdamente lindo assim — os cabelos desalinhados, caindo de forma descuidada sobre a testa, a expre
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