HENRIQUE VALADARES Fechei a porta do quarto de Isadora com um sorriso bobo, que eu não conseguia apagar, estava estampado no meu rosto. Eu me sentia como um adolescente apaixonado. Virei-me para caminhar pelo corredor, pronto para ir para o meu quarto, mas a minha paz matinal durou exatamente quatro passos. — Bom dia, maninho. Congelei no lugar. Marina estava vindo na minha direção. Graças a Deus, ela não tinha me visto sair do quarto da Isadora. — Bom dia, Mari. Caiu da cama hoje? — Eu é que te pergunto. Por onde você andava tão cedo? — ela questionou, erguendo uma sobrancelha desconfiada para mim. — Ah, eu... estou voltando dos meus exercícios matinais. Marina não respondeu. Ela me olhou dos pés à cabeça, com uma expressão de confusão no rosto, desceu os olhos até o chão e apontou. — Com essas roupas? E descalço? Olhei para os meus próprios pés na mesma hora. O piso gelado de repente pareceu muito mais evidente. Eu estava usando apenas a minha calça de moletom, uma camise
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