Eu me levantei, o robe se fechando ao redor do corpo com um nó frouxo, os pés descalços tocando o tapete persa macio. O quarto estava silencioso, exceto pelo tique-taque do relógio e o zumbido distante do ar-condicionado. Ela estaria com fome, certamente. Por isso desci até a cozinha, tomando cuidado com quem quer que fosse encontrar e preparei uma pequena bandeja com frutas, bolos e bolachas e subi correndo antes que alguém me visse.Caminhei até o espelho de corpo inteiro, encostado na parede oposta à cama - um móvel antigo de moldura dourada, herança de Mamma, que eu sempre achara pesado demais para um quarto de menina. Coloquei as mãos na borda inferior, sentindo o peso familiar da madeira entalhada, e empurrei com cuidado, girando o mecanismo escondido que eu descobrira por acidente, testando a alavanca com a unha até ouvir o clique sutil. O espelho se moveu devagar, rangendo como um suspiro relutante, revelando a fenda escura atrás dele - uma passagem estreita, alta o suficient
Leer más