Acordei com o peso do silêncio. A cama, imensa e de lençóis excessivamente macios, parecia um deserto de cetim. Na noite anterior, havia me deitado sozinha, olhei ao redor e constatei que Damiano não estava ali. Olhei para o relógio digital na mesa de cabeceira: passava das três da manhã.Ele não havia voltado do "compromisso" que mencionou na noite anterior, logo após nos deixar - a mim e a Cat - explorando a cobertura. Na nossa língua, "compromisso" nunca significava um jantar de negócios comum. Significava o sangue, o asfalto e as engrenagens silenciosas da Outfit moendo alguém sob as ordens de Domenico, ou agora, sob as dele.Sentei-me na cama, abraçando meus joelhos. A penumbra do quarto, cortada apenas pelos filetes da lua, iluminando a cidade que escapavam pelas frestas das cortinas de veludo grafite, me dava uma sensação de isolamento profundo.Eu era uma Rossi agora. A senhora daquela fortaleza de vidro. Mas, por dentro, eu ainda me sentia a
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