Lívia despertou antes mesmo de o sol invadir por completo as cortinas do quarto. Por um instante, permaneceu imóvel, encarando o teto, ainda sonolenta. Então moveu a perna por reflexo — e franziu o cenho. A dor. Ela não estava ali. Sentou-se rapidamente, quase sem acreditar, e apoiou o pé no chão. Esperou. Nada. Nem a pontada habitual. Nem a ardência. Só um leve desconforto, quase imperceptível. Com cuidado, levantou-se. E andou. Devagar no começo. Um passo. Depois outro. E outro. Uma pequena mancada ainda permanecia, mas era tão sutil que mal interferia. Lívia soltou um riso incrédulo. Aquela mulher do vilarejo… realmente sabia o que fazia. Caminhou até o espelho de corpo inteiro perto da janela, admirando a própria imagem como se fosse a primeira vez em semanas. E, pela primeira vez, não enxergou apenas uma garota quebrada. Seu corpo estava diferente. Os hematomas que antes marcavam sua pele em tons escuros e dolorosos haviam desaparecido em grande parte. Resta
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