Todos os dias, pela manhã, eu esperava pela fisioterapeuta… até que ela me disse que eu estava bem e que não precisava mais das sessões.Agradeci e a acompanhei até a porta. O clique da fechadura ecoou como sempre, seco, definitivo. Quantas vezes eu já tinha ouvido aquele som? Perdi a conta. Estava enlouquecendo ali dentro, sozinha.Meu corpo já não doía mais, mas a mente… essa não descansava. Às vezes eu acordava no meio da noite, suando, presa nos sonhos com o Coiote: Os golpes, os gritos dele… os meus. Ele ainda estava pela cidade? Estava me procurando? Cheguei a pensar que morreria naquele lugar. E, quando a única coisa que ainda reagia era a minha mente, eu pensava em tudo o que ainda não tinha vivido.Olhei para o bar.Caminhei devagar, observando as garrafas alinhadas, elegantes, quase intocáveis. Quanto custariam? Dezenas de dólares, certamente. Escolhi uma, já estava aberta e despejei o líquido escarlate na taça.Vinho.A lembrança veio sem aviso: Richard na cozinha… o beijo
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