Nunca fui muito de prosa com mulher atrevida, dessas que falam o que querem sem pedir licença. Mas confesso que aquela me tirou do prumo.Quando ajudei a moça a descer do cavalo — segurando firme na cintura dela, como se aquilo fosse necessário mesmo, sendo que era só desculpa minha pra sentir o corpo macio — vi de perto. Até então, eu só tava reparando nos olhos dos meus irmãos, aqueles dois pareciam dois bichos na seca, quase babando nela.O mais novo, Teófilo, aquele tem o olhar safado desde menino, desde pequeno eu sabia que ia dar trabalho. Já o Bento, coitado, tava mais vermelho que brasa de fogueira apagando. O cabra não sabia onde pôr as mãos, coçava a nuca, baixava os olhos, e quando criava coragem de olhar, ficava torto, esquisito.Mas ela… ah, ela olhava de volta. Sem medo, sem pudor, com aquele sorriso de canto, como quem se diverte diante de homem que não sabe o que fazer. Isso que me deixava invocado. A mulher se divertindo e eu ali, feito bicho emburrado, parado, segura
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