DavidA reunião foi longa. Exaustiva. Daquelas que drenam a alma e deixam até o ar parecer pesado. Mas, quando finalmente retorno para minha sala, trago comigo algo que não sentia há dias: confiança. É bom ser competente. É ainda melhor fechar negócios que farão a empresa render, crescer, prosperar. Há um certo prazer — quase narcótico — em saber que, ali dentro, eu domino o jogo.Passo pela mesa da minha assistente, e ela se ergue tão rápido que quase derruba a própria caneta. Certamente está preparada para meus gritos, minhas ordens secas, meu mau humor habitual. Mas, desta vez, surpreendo até a mim mesmo ao usar um tom educado:— Peça meu almoço no restaurante de sempre, por favor, Sara.Ela pisca — chocada. Por pouco não cai para trás.Sei que estou estranho. Diferente. Antes, eu brincava com tudo, fazia troça com meus irmãos, não levava nada muito a sério. Mas isso acabou no instante em que meu pai decidiu vigiar cada passo meu, exigindo postura impecável, responsabilidade, contr
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