Um silêncio pesado, quase palpável, toma conta do interior do carro, e eu, sinceramente, agradeço por isso. Quando estou de saco cheio, a última coisa de que preciso é alguém falando ao meu redor. A calmaria, pelo menos, me dá a ilusão de controle. Desvio o olhar para Isabella, sentada o mais longe possível de mim no banco traseiro, como se o couro entre nós fosse um campo minado. Ela está com a cabeça encostada no vidro da janela, o olhar perdido em algum ponto da cidade que corre lá fora. A expressão dela é distante, o maxilar levemente tenso, os lábios comprimidos. Ótimo. Quietinha. Do jeito que deveria ficar sempre. Porque tudo que sai da boca dessa garota tem uma capacidade impressionante de testar minha sanidade. E hoje, em especial, ela já tinha pisado, pulado e dançado em cima de todos os limites da minha paciência. Desisto de observá-la e volto minha atenção para a minha própria janela. O trânsito, para minha surpresa, flui bem. Um milagre, considerando que estamos em Malha
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