A música vibrava nas paredes como um coração artificial.Do meu escritório, no segundo andar do clube, eu conseguia sentir cada batida grave atravessando o chão de madeira escura, subindo pelas pernas da mesa e chegando até mim como um lembrete constante de onde eu estava — e de quem mandava ali.Silverport nunca dormia de verdade. A cidade apenas trocava de máscara.Durante o dia, vestia ternos caros, discursos políticos e promessas de investimento. À noite, tirava tudo isso e revelava o que realmente era: uma criatura viva feita de ambição, pecado e dinheiro sujo.E Raven Fall, o distrito noturno, era o coração dessa criatura.Meu clube ficava no meio da rua principal, um edifício de fachada discreta que escondia um interior cuidadosamente projetado para seduzir e intimidar ao mesmo tempo. As paredes eram totalmente pretas, absorvendo a luz como se fossem um abismo. Não havia quadros, não havia decoração desnecessária — apenas a escuridão elegante de quem não precisava provar nada a
Ler mais