O despertar de Sophia não foi súbito; foi uma emersão lenta e dolorosa de um abismo de sedativos e sombras. O primeiro sentido a retornar foi o olfato: o cheiro estéril de antisséptico misturado ao odor metálico de sangue seco que parecia impregnado em suas próprias narinas. Depois, veio o som: o bipe rítmico e insistente dos monitores cardíacos, o chiado suave do oxigênio fluindo e, mais distante, o murmúrio abafado do corredor do Hospital St. Jude. Ela tentou abrir as pálpebras, mas elas pareciam coladas, pesadas como chumbo. Quando finalmente conseguiu, a luz fluorescente e branca do quarto de UTI a cegou momentaneamente, forçando-a a piscar várias vezes. O teto era de placas de gesso brancas; as paredes, de um tom verde-pálido e descascado. A primeira coisa que ela sentiu, antes mesmo de se lembrar do que havia acontecido, foi o vazio. Um pânico gelado serpenteou por sua espinha. Ela tentou mover a mão em direção ao ventre, mas algo a impediu. Ela olhou para baixo e viu: seu
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