Capítulo 14A chuva fustigava o asfalto do Porto de Santos, transformando as poças de óleo em espelhos negros que refletiam as luzes fracas dos postes. Eu sentia o frio entranhar-se nos meus ossos através do vestido de seda, agora rasgado na bainha para me permitir correr. O cheiro a salitre e ferrugem era sufocante. Diante de mim, o Galpão 4 erguia-se como uma bocarra de metal, as portas de correr entreabertas, rangendo ao sabor do vento cortante.— Lucas? Estás aí? — sussurrei, mas o meu auricular apenas emitia estática.Gustavo tinha ficado para trás no hotel, tentando conter o incêndio mediático e a fúria dos investidores, mas eu sabia que ele não tardaria. Ele tinha rastreadores em tudo o que me pertencia, e a sua obsessão não o deixaria ficar longe do epicentro do caos.Entrei no galpão com os sentidos em alerta máximo. O interior era um labirinto de contentores empilhados e caixas com o logótipo do Grupo Almeida. Ao fundo, sob a luz de um único projetor industrial, vi uma maca
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