ELENA MORETTI.O atelier em Milão era um santuário de alta costura, com paredes de espelhos do chão ao teto e o aroma de café expresso e flores frescas. Eu estava de pé no pedestal, cercada por três costureiras que ajustavam as camadas infinitas de renda artesanal. Vittoria estava sentada no sofá de veludo, segurando Matteo, que dormia profundamente.— Está divina, Elena — Vittoria sussurrou, os olhos brilhando. — O Julian vai perder o fôlego quando te vir entrar naquela igreja no Lago di Como.Olhei para o meu reflexo. O vestido era uma obra de arte, mas, por um segundo, os espelhos pareceram devolver-me uma imagem distorcida. Senti um calafrio percorrer-me a espinha, o mesmo que senti na noite em que fugi de Nápoles.— Vittoria, sentes isso? — perguntei, a minha voz saindo num sussurro tenso.— O quê? O ar condicionado? — Ela sorriu, mas o seu sorriso murchou quando viu a minha expressão.— Não. Sinto que estamos a ser observadas. Não pelos seguranças do Julian lá fora... por algo m
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