O sol já estava alto quando o cheiro de café chegou ao quarto.Lorena havia ficado acordada a noite inteira. Ou quase em algum momento antes do amanhecer o corpo havia cobrado seu preço e ela havia caído num sono raso, cheio de sobressaltos, do qual acordava a cada ruído novo. O som das ondas, que não parava, havia deixado de ser paisagem e virado tortura.Rafael não estava mais na cama quando ela abriu os olhos.Ela ficou imóvel por um segundo, ouvindo. Vozes na cozinha, ele e alguém, provavelmente um dos homens. O cheiro de café ficou mais forte. Ovos. Pão tostado. O absurdo doméstico daquele cheiro num lugar como aquele fez o estômago de Lorena revirar.Ela se sentou devagar na beira da cama.A janela enorme ainda estava lá. A praia, o mar, o sol de manhã que em qualquer outra circunstância seria bonito. Ela procurou com os olhos qualquer coisa, uma embarcação, qualquer sinal de que havia um mundo além daquela ilha.Havia apenas água.- Bom dia, amor.Rafael apareceu na porta do qu
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