É estranho como a gente aprende a ler a arena inteira quando está no ringue, não só o adversário, mas o barulho, as luzes, os movimentos nas bordas, os pontos de distração que podem custar caro se você deixar crescer demais.Naquela noite, eu entro focado como sempre, o corpo respondendo automático, a mente no eixo, mas ainda assim, em algum intervalo entre um golpe e outro, meus olhos sobem instintivamente para o camarote das famílias.Lily está lá.Reconheço de imediato o jeito como ela se inclina para frente quando a luta fica mais intensa, as mãos fechadas em pequenos punhos, o rosto concentrado demais para alguém da idade dela, e ao lado dela está Clara, serena, atenta, torcendo sem exagero, mas inteira naquele momento.É aí que eu vejo.Um cara qualquer.Desses que parecem sempre prontos para uma câmera invisível, sorriso ensaiado, corpo inclinado demais na direção errada, falando perto demais do ouvido dela como se intimidade fosse algo que se conquistasse na base da insistênci
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