Lily passou a tarde com a foto da mãe por perto. Não o tempo inteiro nas mãos, porque eu precisei convencê-la a comer, beber água e descansar um pouco, mas a fotografia ficava sempre ali, perto demais para ser esquecida. Primeiro sobre o colo. Depois ao lado dos lápis. Depois encostada no travesseiro, como se a mulher dentro daquele papel pequeno tivesse se tornado, de repente, alguém que também ocupava o quarto. Eu tentei agir com naturalidade. Não consegui. Havia alguma coisa diferente em Lily desde que Sebastian entregou a foto. Ela não parecia triste. Parecia curiosa. Faminta de detalhes. Como se tivesse descoberto uma porta dentro da própria vida e, agora que ela estava aberta, quisesse saber tudo que existia do outro lado. Quando Marta entrou no quarto no meio da tarde com uma bandeja pequena, Lily levantou a fotografia na mesma hora. — Marta, olha. Papai me deu a mamãe. Marta parou perto da cama. O olhar dela caiu na foto e, por um segundo, ela perdeu completamente o jei
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