Anna O quarto do hotel era amplo, com paredes claras, móveis de madeira escura e uma varanda que dava para o mar do Leblon. A luz do fim de tarde entrava pelas cortinas semiabertas, tingindo tudo de dourado. Eu estava diante do espelho do banheiro, ajustando a blusa de seda branca que havia escolhido para a reunião de revisão com Leornado. Saia lápis cinza-escura, salto médio e o cabelo preso no mesmo coque baixo de sempre; a roupa era a mesma que eu usava no escritório, profissional, impecável e segura.Mas eu não me sentia segura.Respirei fundo, tentando me convencer de que era apenas mais uma sessão de trabalho. Quantas vezes eu havia passado horas no escritório dele, ou em salas de reunião, discutindo relatórios, projeções e estratégias? Centenas, milhares de horas, e nunca, nem uma única vez, eu havia sentido o estômago revirar como agora. Porque algo havia mudado, ou talvez nada tivesse mudado e fosse só a minha cabeça.Eu ainda me lembrava do sonho, ou da realidade, da madruga
Ler mais