A casa parecia respirar diferente naquela manhã. Não havia silêncio absoluto, nem tensão explícita, mas algo sutil se instalava entre nós, como um fio invisível que ninguém ousava puxar. Depois da noite anterior, eu sabia que não era mais possível fingir normalidade, e ainda assim, era exatamente isso que todos tentávamos fazer. Laura estava sentada no chão da sala, desenhando com atenção concentrada, a língua levemente presa entre os dentes como sempre fazia quando queria acertar cada detalhe. Eu observava de longe, apoiada na bancada da cozinha, enquanto terminava de organizar algumas coisas que, no fundo, não precisavam de organização alguma. Era só uma forma de ocupar as mãos. E a cabeça. Augusto estava por perto, alternando entre o celular e pequenos olhares na nossa direção. Não havia cobrança no olhar dele, mas havia consciência. Ele sabia que algo tinha mudado. Sabia que eu estava diferente. E não parecia disposto a ignorar isso por muito mais tempo. — Helena — Laura ch
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