~ Carlos Acordei antes da Bela. Não me mexi de imediato; deixei-me ficar ali, ancorado pelo silêncio, com o olhar preso na forma tranquila como ela respirava ao meu lado. Naquele quarto, o mundo lá fora, com as suas ameaças e sombras, parecia uma ficção distante. A luz da manhã filtrava-se suavemente pelas cortinas, desenhando contornos de seda na sua pele. O cabelo espalhava-se pela almofada, desalinhado e livre. Havia uma serenidade no rosto dela que contrastava violentamente com a tempestade que nos rodeava. E, no entanto, era a nossa única realidade. Inspirei fundo, quase por instinto. O aroma dela estava ali, familiar, mas… diferente. Mais doce, talvez? Ou apenas mais presente. Franzi ligeiramente o sobrolho, tentando definir o que sentia. Não era perfume. Vinha dela, de dentro. Como se a própria pele tivesse mudado para um tom invisível, algo subtil, mas impossível de ignorar para quem, como eu, conhecia cada detalhe do seu corpo. Aproximei-me, apoiando o peso no cotove
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