O som dos talheres cessou gradualmente, como se a própria mesa tivesse decidido que já não havia mais nada a dizer ali, pelo menos, não em voz alta. Ainda assim, ninguém se levantou de imediato. As conversas dispersaram-se em pequenos núcleos, superficiais, quase automáticos: comentários sobre negócios, viagens, trivialidades que serviam apenas para preencher o espaço deixado pelo que realmente importava. Mas eu sentia. Debaixo daquela aparente normalidade, algo tinha mudado. Rebecca, sentada ao meu lado, evitava dirigir-se ao pai. Respondia apenas quando necessário, sempre com um leve toque de provocação. Movia-se com inteligência; tanto sabia defender-se como atacar. À minha frente, Luís não desviava completamente o olhar. Não era confronto direto. Era observação. Cada gesto meu, cada troca silenciosa com Carlos, parecia ser registado e avaliado. No canto da mesa, Olívia conversava com Isabella sobre viagens e experiências culturais. No canto oposto, Leonard e Duarte mantinham
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