Depois do “não” à proposta de pagar minha dívida, eu achei que o clima ia ficar estranho.Não ficou. Pelo menos, não do jeito que eu esperava.Matteo não mudou o tom comigo, não ficou frio de repente, não começou a me evitar pelos corredores. Pelo contrário: parecia observar tudo com ainda mais atenção. O que, vindo dele, era dizer bastante.Nos dias seguintes, minha rotina com Joana se encaixou de um jeito quase natural. Eu começava a perceber manias, pequenos rituais.Ela gostava de alinhar os lápis de cor antes de desenhar. Tinha um copo preferido para o leite (o de estrelinhas azuis, os outros eram “incompetentes”). Fazia perguntas filosóficas aleatórias às 7h, como:— Emmy, você acha que a gente volta pra algum lugar quando morre?Ou:— Se eu esquecer de uma coisa muito importante, quer dizer que ela nunca foi importante?Entre uma pergunta e outra, eu me via tendo que ser cuidadora, amiga, filósofa barata e, às vezes, só alguém que admitia não saber.— Não sei o que acontece dep
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