Átila sempre foi uma menina teimosa, mas antes de entrar na adolescência ela não era tão teimosa quanto hoje. Era uma teimosia leve, quase infantil, daquelas que vinham acompanhadas de birra e logo passavam. Hoje, não. Hoje era diferente. Era uma teimosia carregada, rígida, como se fosse uma forma de se proteger do mundo.Antes era só ela, Aquila e seus pais. Havia leveza, rotina, um tipo de segurança que ela nem sabia que existia — até perder. Depois que soube que Bernard não era seu pai de verdade, ela ficou revoltada. Não por Bernard — porque, no fundo, ele sempre foi presente —, mas pelo pai verdadeiro nunca tê-la procurado. Aquela ausência ganhou peso. Virou rejeição. Virou pergunta sem resposta. Virou ferida aberta.Depois veio a morte do seu namorado, a quem jurara amor eterno. E, de fato, ela acreditou que fosse pra vida toda. Ela lembrava do sorriso dele, da forma como ele segurava sua mão, das promessas sussurradas como se fossem eternas. E, de repente, tudo acabou. Sem a
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