Lorena AzevedoOs primeiros raios da manhã começavam a rasgar as cortinas de linho do nosso quarto, trazendo aquela luz suave que aos poucos despertava a fazenda. Ao meu lado, senti a cama balançar levemente quando o Rafael se sentou na borda do colchão. Ele passou as mãos pelo rosto, soltando um bocejo longo, e logo se virou para mim. Seus olhos castanhos, ainda semicerrados pelo sono, fixaram-se no meu rosto com aquela intensidade de ogro que nunca mudava, não importava a hora do dia.Ele estendeu a mão grande, pousando as costas dos dedos na minha testa para checar a minha temperatura, o cenho já franzido em sinal de preocupação.— Bom dia, boneca. Como é que você acordou? Ainda está sentindo aquele mal-estar de ontem à noite? — ele perguntou, a voz grave e arrastada ecoando pelo quarto silencioso. — Olha, eu já vou deixar o número do doutor separado aqui no criado-mudo. Assim que eu entrar no jatinho, vou ligar para ele vir te dar uma olhada. Não quero saber de teimosia.Olhei par
Ler mais