Rafael VenturaA luz da manhã em Belo Horizonte tem uma cor diferente. É um dourado pálido que corta a névoa que sobe dos pastos, prometendo calor, mas mantendo o frescor da madrugada por mais algumas horas. Acordei antes que o sol vencesse completamente o horizonte. O quarto estava imerso em uma penumbra preguiçosa. Virei-me devagar na cama, sentindo o calor do corpo da Lorena ao meu lado. Ela dormia profundamente, a respiração rítmica e suave. O edredom cobria seu corpo, deixando apenas o rosto sereno e um dos ombros de fora.Observei-a por alguns instantes. As marcas roxas nos pulsos, visíveis sob as gazes que eu trocara na noite anterior, eram lembretes cruéis do que havíamos passado. Mas vê-la ali, segura, na nossa cama, era a cura para todo o ódio que eu tentava conter. Inclinei-me com cuidado, depositando um beijo leve, quase um roçar de lábios, na têmpera dela. Com a ponta dos dedos, afastei uma mecha de cabelo que caía sobre os olhos dela.— Descanse, boneca. O pesadelo acabo
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