48. Beatrice Moreira
Os dias seguintes à partida de Salvatore foram um exercício de tensão constante. Francesca sorria para mim nos corredores, cumprimentava-me com educação impecável, mas eu sentia os olhos dela em cada movimento meu, avaliando, calculando, esperando.O primeiro ataque veio de onde eu menos esperava.Era uma manhã como qualquer outra. Desci para a cozinha para tomar café antes de buscar Matteo, mas quando entrei, o silêncio foi ensurdecedor. Marie e Rosetta, que sempre conversavam animadamente, estavam mudas. Rosetta mal ergueu os olhos quando me sentei à mesa.— Bom dia — disse, tentando soar natural.— Bom dia — Rosetta respondeu, mas sua voz era fria, distante.Marie não disse nada. Apenas colocou uma xícara de café na minha frente e voltou para o fogão.Fiquei ali, bebendo meu café em silêncio, sentindo o pes
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