53. Beatrice Moreira
A porta do meu quarto fechou-se com um clique definitivo, e eu fiquei ali, imóvel, ouvindo os passos de Vittorio se afastarem pelo corredor. A atuação dele fora convincente — a fúria nos olhos, a dureza na voz, a forma como segurara meu braço com força calculada. Por um momento, até eu duvidara.Mas eu vi. Vi o lampejo nos olhos dele quando nossos olhares se cruzaram. Vi o leve aceno de cabeça, quase imperceptível. Ele estava jogando um jogo. E eu era parte dele.O problema é que eu estava cansada de jogos.Sentei-me na cama, olhando para as paredes do quarto que se tornara minha prisão nos primeiros dias. Agora era uma prisão novamente, mesmo que temporária, mesmo que falsa. E a sensação de estar enjaulada apertava meu peito de um jeito que eu não conseguia ignorar.Horas se passaram. A noite caiu. Ouvi passos no corredor, vozes abafadas,
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