A viagem para Milão foi um borrão de luzes de rodovia e um silêncio cortante dentro do carro blindado de Bruno. Eu olhava pela janela, vendo a silhueta da Toscana sumir, e com ela, a imagem de Lorenzo de joelhos no mármore. Bruno não disse uma palavra, mas sua mão descansava sobre a minha coxa de forma possessiva, como se estivesse marcando o novo território que acabara de conquistar.Quando chegamos à cobertura de Bruno no centro de Milão, a realidade me atingiu. Era um lugar frio, moderno, cheio de vidro e aço. Nada parecido com o calor rústico e perigoso da Villa Vitale. Eu era uma prisioneira de luxo agora.Passei os dois primeiros dias trancada naquele apartamento, sendo vigiada por seguranças que não piscavam. Bruno aparecia apenas para jantar, sempre impecável, sempre agindo como se tivéssemos um encontro romântico e não um sequestro político. Mas na manhã do terceiro dia, o clima mudou.Ouvi o som do elevador privativo e, logo depois, vozes alteradas no hall. Uma voz que eu re
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