O zumbido no meu ouvido esquerdo, onde a bala de Lorenzo havia passado raspando segundos atrás, ainda era uma nota aguda e persistente, como um lembrete de que eu estava flertando com o abismo. O cheiro de pólvora queimada se misturava ao perfume caro do escritório, criando uma atmosfera sufocante. Eu estava em cima daquela escrivaninha, com as roupas desalinhadas e o coração martelando contra as costelas, quando a porta do escritório finalmente cedeu.Bruno Gosmound não entrou, ele dominou o espaço.Se Lorenzo era o lobo, bruto, visceral e perigoso, Bruno era o soberano. Ele vestia um terno azul-marinho que parecia esculpido em seu corpo, destacando ombros largos e uma postura que exalava uma masculinidade fria e refinada. Ele era absurdamente bonito, de um jeito que doía olhar, os traços do rosto eram perfeitos, a pele cla
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