Eu olhei para Lorenzo uma última vez. Meus olhos pesavam toneladas, e a imagem dele, o rosto pálido, os olhos cinzentos transbordando um terror genuíno, estava se tornando um borrão branco e difuso. O teto de Milão, com suas molduras caras e luzes frias, começou a escurecer pelas bordas. Eu queria dizer que o amava, ou que o odiava por me colocar naquela mesa, mas a minha língua pesava como chumbo, imóvel em uma boca que já não me obedecia.O bip do monitor cardíaco, antes ritmado, tornou-se um ruído branco, um zumbido longo e contínuo na minha mente que abafava todo o resto. A última coisa que senti foi o aperto desesperado da mão de Lorenzo, um toque que queimava contra a minha pele gelada, antes de o meu corpo desistir e a escuridão me tragar por completo, deixando o Coração de Jade e a minha vida pendurados por um fio de seda.Não sei quanto tempo passei naquele vazio. Não havia luz no fim do túnel, apenas uma dormência profunda. Mas, aos poucos, o som começou a retornar. Primeiro
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