Vitória desceu pronta para o trabalho. O cheiro de café fresco se espalhava pela cozinha, mas algo parecia fora do lugar. A mesa estava posta, mas não completamente; uma xícara vazia, um prato levemente deslocado. Por um instante, hesitou, imaginando se ele já tinha saído ou se ainda estava ali. — Rafael já desceu? — perguntou a Sônia, enquanto ajeitava a bolsa no ombro. — Sim. Recebeu uma ligação e saiu às pressas. Mas deixou recado: é para você tomar o café da manhã direito. Vitória assentiu, sentou-se e ficou um instante observando a mesa. O cuidado silencioso dele ainda a fazia sorrir, de forma discreta, quase automática. Tomou o café devagar, obedecendo sem palavras ao recado implícito, como se aquilo fosse parte da rotina. Quando terminou, levantou-se e saiu. A manhã passou em ritmo acelerado, entre reuniões, avaliações e decisões que se acumulavam sem trégua. Só perto das quinze horas Vitória conseguiu finalmente parar e, ao olhar para o celular, notou várias mensagens, mas
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