UMA FRASE SÓ Numa quarta, já bem tarde da noite. Sem crise, sem evento, sem nada que precisasse de resposta antes do dia seguinte. A mansão no barulho de sempre — que não era bem barulho. Ar-condicionado baixo, algum carro distante na rua, aquele silêncio que gente rica compra quando instala vidro duplo nas janelas. Eu tava na cozinha, fazendo chá. Hábito dos primeiros meses que eu nunca parei pra abandonar. A chaleira no fogão, a caixinha de erva-cidreira na prateleira de baixo — fui eu que coloquei ali. Ficou. Ninguém mexeu. A prateleira de baixo era minha. Isso simplesmente… aconteceu. O estalo do fogão quebrou o silêncio. A chama azul acendeu sob a chaleira de inox com um chiado baixo, o fogo subindo no metal ainda frio. Um arrastar de calcanhar no corredor. Vincent apareceu na porta. Sem paletó, sem camisa social. Só a calça de alfaiataria escura e uma camiseta preta básica, colada no ombro largo, marcando as veias do antebraço. Ele não olhou direto pr
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