Era uma tarde de terça-feira chuvosa. Como a biblioteca estava sendo limpa, Clara e suas amigas migraram para a sala de estar formal — o "Museu", como Ricardo costumava chamar.Era a sala onde ficavam os vasos Ming, os tapetes persas e, ironicamente, o local onde a antiga Clara tivera seu primeiro grande surto de rebeldia, quebrando peças inestimáveis durante uma discussão.Hoje, porém, a sala estava cheia de risadas adolescentes e pacotes de biscoito. Clara estava sentada no tapete, com Bia e Sofia, jogando um jogo de tabuleiro.— Você está roubando! — Clara acusou, rindo. — Eu vi você mover o pino duas vezes!A paz foi quebrada pelo som de saltos altos estalando no mármore do hall de entrada.Não houve anúncio pelo interfone. A porta dupla se abriu e Dona Cecília Albuquerque entrou, como se ainda fosse a dona da casa.Ela usava um tailleur cinza impecável e carregava uma bolsa de grife como se fosse um escudo. Seus olhos varreram a sala, parando com desdém sobre o grupo de adolescen
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