Na manhã de segunda-feira, o despertador tocou às sete em ponto.Por reflexo, Clara esticou a mão para desligar, mas parou no meio do caminho. Por meses, ela deixava o sono mandar no ritmo dos dias. Agora, quem ia mandar era ela.Sentou-se na cama, respirou fundo e olhou para o lado. A cama de casal, antes tão estranha, começava a parecer familiar. Ricardo ainda dormia, o rosto relaxado de um jeito que ele nunca mostrava acordado. Sem a armadura do CEO, sem o peso do marido culpado, ele parecia… mais jovem. Quase vulnerável.Por um segundo, ela sentiu vontade de deitar de novo, encaixar-se no peito dele e esquecer o mundo. Mas lembranças recentes vieram à tona: as páginas dos diários, o hospital, a Fundação, o vaso quebrado, o diagnóstico, a máquina raspando seu cabelo. E, acima de tudo, a frase que agora ecoava como um mantra: Eu não vou ser uma versão que te convém.Levantou-se devagar e foi até o closet. Em vez do moletom adolescente ou do vestido vinho de sedução, escolheu um meio
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