Quando as pálpebras de Clara finalmente se abriram por completo, não houve a serenidade de um despertar de conto de fadas. Houve pânico.Seus olhos castanhos, desacostumados à luz, varriam o quarto freneticamente. Ela tentou se levantar, mas seu corpo, atrofiado por doze meses de imobilidade, não obedeceu. Ela tentou gritar, mas sua garganta, seca e enferrujada, produziu apenas um som gorgolejante e agudo.— Clara! Calma, calma! — Ricardo se inclinou sobre ela, tentando segurar seus ombros delicadamente. — Você está segura. Eu estou aqui.Ao ver o rosto de Ricardo tão próximo, Clara recuou contra o travesseiro, os olhos arregalados de terror. Ela não parecia reconhecer o homem que a segurava. Ela parecia ver um monstro.Ricardo congelou, tirando as mãos dela.— Sou eu — ele disse, a voz falhando. — Ricardo.Ela continuou olhando para ele, a respiração ficando ofegante, o monitor cardíaco disparando um alarme de taquicardia.— Ela está em choque — a enfermeira interveio, aplicando um s
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