Ricardo voltou para a Mansão Albuquerque como um fantasma retornando ao local de sua própria morte.Eram três da manhã. A casa estava silenciosa, mas o silêncio não era mais de paz; era de ausência iminente. Cada móvel, cada quadro, cada centímetro de mármore parecia gritar o nome de Clara.Ele subiu as escadas devagar, sentindo o peso de setenta e oito dias esmagando seus ombros.Ele entrou no quarto. A luz do abajur estava acesa, fraca. Clara dormia.Ricardo parou na porta, observando-a. Antes, ele veria apenas sua esposa dormindo. Agora, com a lente cruel da verdade, ele via tudo o que tinha ignorado.Ele viu a palidez translúcida de sua pele, quase azulada sob a luz amarela. Viu como as maçãs do rosto estavam mais salientes, o rosto mais fino. Viu a respiração dela, superficial e rápida, como se até dormir fosse um esforço.E viu os remédios na mesa de cabeceira. Frascos sem rótulo, vitaminas, analgésicos fortes. Ele sempre achou que eram "coisas de mulher", suplementos de beleza.
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