À noite, Henrique aguardava Aurora na recepção do hotel. Quando a viu surgir no fim do corredor, soube, com uma clareza quase desconcertante, que não estava preparado. Aurora vinha como se a luz tivesse aprendido a andar. O vestido amarelo, longo e de tecido líquido, escorria pelo corpo em linhas suaves, moldando-se sem esforço, como se tivesse sido desenhado diretamente sobre a pele. A gola alta deixava os ombros nus, elegantes, e o tom não era chamativo — era quente. Dourado. Um amarelo de fim de tarde, de sol baixo tocando a cidade antes de desaparecer. A cada passo, o tecido acompanhava o movimento do quadril com uma fluidez quase hipnótica. Não havia fendas, nem exageros, e ainda assim era impossível não olhar. O vestido não revelava — insinuava. E isso, para Henrique, era ainda mais perigoso. Ela se aproximou com um sorriso contido, como se não tivesse plena consciência do efeito que causava. Ou como se fingisse não ter. Henrique demorou um segundo a mais para falar. T
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