O saguão reservado do aeroporto parecia um universo à parte: silencioso, elegante, com funcionários discretos e poltronas de couro claro. Tudo ali parecia calculado para não gerar ruído, nem pressa, nem desconforto. Aurora chegou pontualmente, sentindo o coração acelerar a cada passo, como se aquele ambiente exigisse dela uma versão mais segura de si mesma.O blazer azul-marinho de corte impecável, a calça de alfaiataria e a blusa de seda clara, tudo escolhido por Júlia, faziam com que ela se sentisse diferente. Não era fantasia. Era armadura. Uma forma de se proteger do nervosismo, das expectativas, da sensação de estar entrando em um território que sempre parecera distante demais para alguém como ela. E, pela primeira vez, Aurora se via pertencendo àquele cenário.O salto firme ecoou no piso de porcelanato. O cabelo preso em um coque baixo, os brincos discretos que Júlia lhe dera, a pasta de documentos bem organizada na mão. Aurora respirou fundo antes de entrar no lounge, como se a
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