A porta bateu.O som ecoou dentro do carro de um jeito seco, definitivo.Pedro não se mexeu. Por alguns segundos — ou minutos, ele já não sabia dizer — ficou exatamente como estava, as mãos ainda suspensas no ar, no mesmo lugar onde ela tinha estado. Os dedos levemente curvados, como se ainda segurassem alguma coisa que já não existia mais.O peito subia devagar, pesado, como se respirar exigisse esforço. Ele fechou os olhos e, por um instante, tentou voltar alguns segundos no tempo — antes dela recuar, antes dela dizer que não conseguia, antes daquela sensação de fim se instalar entre eles.Mas não voltou.Quando abriu os olhos de novo, o carro parecia menor, mais vazio, mais frio. Pedro soltou o ar de uma vez, como se tivesse prendido por tempo demais — e então veio.Não foi um choro bonito, nem controlado. Foi quebrado.O corpo cedeu para frente, os cotovelos apoiando nas pernas, as mãos voltando para o rosto como se tentassem esconder algo que já não dava mais para esconder.— Não
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