O barulho do parque continuava ao redor — crianças correndo, música ao fundo, vozes misturadas — mas ali, naquele pequeno espaço entre os três, parecia que tudo tinha diminuído de volume. O ar estava denso, difícil de atravessar, como se qualquer movimento errado pudesse fazer tudo sair do controle. Letícia respirava fundo, tentando se manter no lugar, mas era impossível ignorar o peso daquilo. Pedro ali, abatido, com aquele olhar que misturava culpa e desespero… André ao lado, rígido, atento a qualquer gesto dele… e ela no meio, sentindo que aquilo podia explodir a qualquer segundo. Por um instante, ela fechou os olhos, como se precisasse de um segundo só para si. Quando abriu, já sabia o que precisava fazer. Virou o rosto para André, a voz mais baixa, mas firme: — Eu vou pegar as crianças e ir embora. Ele reagiu na hora, o corpo ainda tenso. — Letícia— — Não dá pra ficar aqui — ela completou, agora olhando direto pra ele, sem espaço para discussão — não assim. André assenti
Leer más