Pedro ficou alguns segundos olhando para o celular depois que a ligação terminou. A tela apagou, mas ele continuou ali, parado, como se ainda estivesse ouvindo a voz da mãe ecoando na cabeça.Alemanha.A palavra não saía.Pesada demais.Definitiva demais.Ele soltou o ar de uma vez, passando a mão pelo rosto, mas não adiantava. Aquilo não diminuía, não se organizava, não dava espaço pra mais nada.O corpo reagiu antes da cabeça.O punho fechou.E ele acertou a lateral da bancada com força.O som seco cortou o silêncio do apartamento, seguido pela dor subindo pelo braço, mas ele nem recuou. Ficou ali, apoiando as duas mãos na superfície, a cabeça baixa, a respiração pesada, descompassada.— Merda…A palavra saiu arrastada, quase sem voz.Ela ia embora.Ia embora de verdade.Com as crianças.E, dessa vez, não parecia ameaça, nem discussão, nem impulso.Parecia decisão.E isso desesperava.Pedro fechou os olhos com força, tentando organizar qualquer linha de pensamento, mas tudo que vinh
Leer más