Na outra ponta da cidade, o cenário era outro. O quarto estava em meia-luz, silencioso, mas não vazio. Pedro estava deitado, encostado na cabeceira, com Letícia acomodada sobre o peito dele. A respiração dela já tinha desacelerado, profunda, pesada de cansaço. O corpo finalmente tinha cedido ao descanso que vinha sendo negado há dias, como se agora, só agora, ela tivesse encontrado um lugar onde podia relaxar de verdade. Ela dormia. De verdade. E só isso já parecia um milagre. Pedro manteve o braço ao redor dela, firme, mas cuidadoso, como se até no sono ela ainda pudesse se quebrar. Os dedos dele faziam um carinho leve no braço dela, em movimentos lentos, quase automáticos, como se aquele gesto fosse mais para acalmar a si mesmo do que a ela. Ele não dormia. Nem conseguia. Só observava. Sentia. O peso do que tinha acontecido ainda estava ali, grudado no corpo, na mente, na respiração. Mas agora vinha misturado com algo diferente… um alívio silencioso por ela estar ali, e um
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