— Por que está virando o rosto? — A voz é gelo afiado, cheia de acidez. — Nada do que tem aqui é novidade para você.Solto uma bufada pelo nariz e abro os olhos. Ali está ele, bem na minha frente de novo, terminando de fechar o botão da calça. O tronco está nu, a pele morena contrastando violentamente com a brancura da minha, como sempre. Seus olhos, mesmo já no cinza normal, ainda me queimam. Um espetáculo da natureza. Em qualquer forma que seja.E por um instante… tudo que eu quero é correr e me aninhar naquele calor, enfiar meu rosto na curva do seu pescoço, enfiar meus dedos pelos cabelos escuros que parecem seda… E só de pensar nisso, meu coração dispara dolorido de novo. Mas quando suas tempestades me encaram, a expressão dele me trava no lugar. Niccolai está aqui para me punir.— De quem foi essa ideia estúpida de te fazer de isca? — sua voz é um rosnado, a fúria parecendo extravasar seus poros.Então, ele para na minha frente, com sua altura me obrigando a inclinar a cabeça
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