Ponto de Vista: MayaEu estava submersa. O mundo não era feito de formas, mas de sons abafados e sensações térmicas. Era como se eu estivesse no fundo de uma piscina muito profunda, olhando para cima e vendo apenas vultos distorcidos através da água azul e gelada da anestesia.Eu ouvia vozes. Elas flutuavam sobre mim, distantes, técnicas. Bipes metálicos marcavam o ritmo do meu coração, e o som mecânico de algo soprando ar nos meus pulmões era a única prova de que eu ainda pertencia ao mundo dos vivos. Eu tentava lutar contra aquela densidade. Por várias vezes, tive a sensação nítida de abrir os olhos, de ver o teto branco e as luzes fluorescentes, mas, logo em seguida, a escuridão me puxava de volta. Eu tentava gritar, perguntar pelo meu filho, dizer que eu estava ali, mas a minha garganta parecia cheia de areia. Eu abria a boca, mas o silêncio era a única resposta. Eu era uma prisioneira dentro do meu próprio corpo.Então, em meio ao vazio, uma frequência diferente surgiu. Não era o
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