Ponto de Vista: Maya
O mundo não se apagou de repente. Ele se dissolveu. O branco ofuscante das luzes do centro cirúrgico foi perdendo o brilho, transformando-se em uma névoa densa e azulada, como o mar de Porto do Silêncio antes de uma tempestade de verão. Eu não sentia mais o frio do metal na minha pele, nem a picada das agulhas nas minhas veias.
A dor, aquela pontada insuportável que me dobrava ao meio, tinha se tornado apenas um eco distante, uma música tocada em outro quarto.
Eu estava fl