Samuel O dia seguinte não começou com alarme, começou com decisão. Acordei antes do despertador, o pescoço dolorido de ter dormido torto na poltrona. Na cama, Anny e o Andryel ainda dormiam, os dois virados um pro outro, como se fossem um pequeno sistema próprio, independente da bagunça do resto do mundo.A lembrança da madrugada, febre, medo, remédio, o beijo calmo, ainda estava viva na pele. Foi ali, olhando os dois, que a certeza veio inteira, eu não queria mais só sobreviver ao escândalo, limpar manchete, conter dano. Eu queria construir uma vida com eles.Não como remendo. Mas como escolha.Levantei devagar, ajeitei a manta sobre os dois e fui pro banho.O café da manhã oficial da família sempre foi um teatro. Mesa comprida, louça cara, talheres alinhados demais. Meu pai com o jornal do dia, minha mãe com a xícara de chá, algum comentário sobre ações, câmbio, reputação.Naquele dia, faltava só uma peça: Sarah.— Ela não vem? — perguntei, mais por formalidade.— Tem gravação
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