Maria Carolina Corrêa O silêncio dele me acompanhou o dia inteiro.Não foi a arrogância, nem o tom duro, nem sequer a forma como me olhou de cima a baixo quando derrubei o café em seu terno impecável. Foi o silêncio. A ausência de palavras depois da discussão, o olhar fechado, distante, como se eu tivesse tocado em algo que não deveria.Saí da sala sentindo o chão menos firme sob meus pés.Caminhei pelos corredores de vidro da empresa com as mãos entrelaçadas à frente do corpo, tentando manter a postura que aprendi desde menina: cabeça erguida, passos contidos, pensamentos em ordem. Mas nada dentro de mim estava em ordem. O hábito de noviça parecia ainda mais deslocado naquele ambiente de aço, telas gigantes e pessoas que falavam em números como se fossem vidas descartáveis.Talvez fossem. Para eles, pelo menos.Para mim, não.Entrei no elevador sozinha e, quando as portas se fecharam, deixei escapar um suspiro longo, quase um pedido de socorro silencioso. Apoiei a testa no espelho f
Ler mais