Leonel Bianchi O sol da manhã entrava pela janela do quarto, desenhando padrões geométricos sobre a pele de Silvia. Augusto tinha partido cedo, deixando a casa mergulhada naquele silêncio absoluto das montanhas, uma tranquilidade que, ironicamente, me trazia uma inquietação que eu não conseguia nomear. Observar ela dormir era um exercício de autoconhecimento que eu ainda estava aprendendo a dominar.Silvia dormia com a guarda baixa, algo que ela jamais permitia em São Paulo. Ali, entre as vigas de madeira e o cheiro de pinho, ela era apenas uma mulher. A tentação de lhe acordar com um beijo era imensa, mas a vontade de servir, de cuidar, falou mais alto. Fui até a cozinha e preparei o café, um daqueles rituais mundanos que, para um homem como eu, deveriam ser um desperdício de tempo, mas que, sob aquela luz, pareciam a coisa mais importante do mundo.Quando entrei no quarto com a bandeja, ela se mexeu, os olhos abrindo-se devagar, buscando o foco. Ver aquele despertar lento, a desori
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