Leonel Bianchi O uísque na minha taça não era mais uma bebida; era um anestésico, e mesmo assim, o efeito parecia cada vez mais efêmero. O escritório era o meu refúgio e, ao mesmo tempo, a minha câmara de tortura. Trabalhar, analisar contratos, enfrentar a frieza dos tribunais — tudo isso me mantinha funcional. Quando o juiz batia o martelo, eu sentia uma satisfação técnica, um breve momento de ordem em um caos que eu não conseguia mais conter. Mas assim que o silêncio voltava, os pesadelos retornavam, não como fantasmas, mas como evidências.Eu sorria para meus irmãos, trocava frases feitas com Leonardo, fingia que o Bianchi implacável ainda existia. Por dentro, eu era um bagaço. E havia Silvia.Eu passei em frente à livraria, movido por uma necessidade patológica de confirmar que ela ainda estava lá, que o meu mundo não tinha se tornado um deserto completo. Mas vi estranhos no comando. "Férias". A palavra, transmitida pelos funcionários, soou como uma sentença de morte. Ela estava
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