Júlia Cavalcante O quarto estava mergulhado numa penumbra densa, quebrada apenas pelo brilho pálido da lua que atravessava as cortinas de vidro. O silêncio do apartamento de Lian era quase absoluto, mas para mim, Júlia, o ar parecia saturado de uma eletricidade pesada. Eu estava deitada na borda da cama, rígida, tentando manter cada centímetro de distância possível do corpo de Lian, que repousava logo atrás de mim. A presença dele era como um sol negro; eu sentia o seu calor, a sua força gravitacional me puxando, mesmo sem lhe tocar. Mas o sono, quando veio, não trouxe o descanso. Trouxe os monstros. No meu sonho, o corredor do meu antigo apartamento era infinito. Eu corria, mas os meus pés pareciam presos em lodo. Atrás de mim, a voz de Logan ecoava, distorcida e cruel, sussurrando que eu nunca seria livre, que ele sabia do meu "segredinho" e que viria cobrar a dívida. Eu sentia a mão dele, fria e áspera, alcançar o meu ombro, me puxando para a escuridão onde ele tinha passado os
Ler mais